Pesquisa desenvolvida por aluna do Mestrado em
Biotecnologia comprova ação antioxidante e
antimutagênica dos sucos de uva.
Você
já deve estar cansado de ouvir falar que vinho em doses
moderadas faz bem à saúde. O que ainda não
havia sido dito é que os efeitos benéficos da
bebida também são encontrados nos sucos de uva.
Foi o que Caroline Dani comprovou na dissertação
de Mestrado em Biotecnologia, defendida em junho na UCS: os
sucos de uva tintos, brancos e roses produzem ações
antioxidantes e antimutagênicas.
Os efeitos são produzidos pelos polifenóis,
compostos encontrados na casca da uva, que inibem o envelhecimento
precoce e a proliferação de células cancerosas.
A descoberta foi feita após um ao e sete meses de pesquisa.
Nesse período, Caroline fez a avaliação
nutricional antioxidante e antimulagência de nove tipos
de sucos tintos, brancos e rosés.
A ação antioxidante da uva
já era conhecida em vinhos, especialmente nos tintos.
A novidade consiste em atribuí-la à ação
dos compostos fenólicos totais. As substâncias
funcionam como sistema imunológico das videiras. “São
metabólitos secundários, produzidos em algumas
situações, como o excesso de umidade”
exemplifica.
Até hoje, o que se sabia era que o
álcool dos vinhos funcionava como solvente na extração
do resveratrol da casca. Contudo, por ser uma bebida não
fermentada e não alcoólica, o suco não
pode ficar muito tempo em contato com a casca, dificultando
a extração do resveratrol. Mesmo assim, a estudante
verificou quantidade elevada da substância nos sucos
tintos orgânicos, que possuem 0,22 partes de milhão
(ppm) de resveratrol contra 0,008 dos comerciais. Já
na produção dos sucos brancos, sem contato da
casca, a quantidade de resveratrol é inferior. “Na
comparação dos sucos comerciais, os tintos possuem
três vezes mais polifenóis que os brancos, entretanto
todos apresentam atividade antioxidante”.
Fidelidade nos resultados
Durante o mestrado, Caroline mediu a quantidade
de polifenóis, testando a capacidade antioxidante e
antimutagênica de cada um dos sucos, por meio de testes
in vitro. Ou seja, a pesquisadora desenvolveu modelos com
a levedura Saccharomyces cerevisiae, que dá fidelidade
ao estudo por ser muito semelhante às células
humanas. “Isolamos a levedura em um meio no qual não
cresceria e estimulamos a alteração genética
por meio de um agente mutagênico. Com isso conseguimos
provar que os nove sucos conseguem impedir a mutação”,
explica. Em agosto, Caroline iniciou o Doutorado em Biotecnologia,
onde pretende comparar grupos de cobaias (ratos): de um lado,
os que serão alimentados duas vezes por dia durante
30 dias com sucos de uva e, de outro, os que irão beber
apenas água. No trigésimo dia, os animais serão
analisados.
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Resveratrol diminui chances de obstrução
de vasos
A ação antioxidante do resveratrol,
já foi comprovada cientificamente. A substância
é capaz de inibir a oxidação do LDL,
o colesterol ruim. Quando oxidada, essa molécula nociva
tem ainda mais facilidade para se depositar nas artérias
até obstruí-las, provocando um infarto ou derrame.
Polifenóis:
encontrados em diversas formas na natureza, são
parte integrante do flavonóides e possuem grande
poder de neutralizar as moléculas de radicais
livres. São consideradas substâncias antioxidantes
Resveratrol:
um dos mais potentes oxidantes, o resveratrol é
uma espécie de antibiótico natural, produzido
como parte de defesa das plantas, geralmente na época
das chuvas. O resveratrol é encontrado em uma
película junto à casca dos grãos
da uva.
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Fonte: Jornal da UCS – agosto/setembro
2006

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