|
|
Estudos
fomentam os motivos para se colocar o vinho no cardápio
do dia-a-dia: ele faz bem ao coração e, segundo
pesquisas recentes, uma de suas moléculas pode combater
o câncer e o herpes
Por
Tito Montenegro
Arroz, feijão, peito de frango... e um cálice
de vinho tinto. A mesa do brasileiro tende a não ser
mais a mesma depois que os cientistas passaram a degustar,
ou melhor, investigar os benefícios da bebida para
a prevenção de doenças cardíacas.
De artigo de luxo o vinho vem se transformando em recomendação
que freqüenta o receituário de muitos cardiologistas.
Agora uma novíssima safra de estudos aponta o resveratrol
– substância encontrada na uva – como um
possível aliado na luta contra o câncer e o herpes.
Ainda mais saboroso foi o achado do químico gaúcho
André Souto, da PUC do Rio Grande do Sul. Segundo seu
trabalho inédito, ao qual SAÚDE! teve acesso
com exclusividade, os tintos nacionais estão entre
os vinhos com maior concentração dessa molécula
promissora.
Os vinhos brasileiros só perdem para os franceses
O
estudo comandado por André Souto é pioneiro
no país. Ele analisou quimicamente 36 amostras de vinhos
tintos produzidos no Brasil a partir de diferentes castas
de uva. Depois se debruçou sobre as concentrações
de resveratrol, uma das 200 substâncias polifenólicas
encontradas normalmente em cada cálice. De posse dos
números, comparou-os com as quantidades desse composto
em rótulos de outros países. Então foi
surpreendido. "Nesse aspecto, os vinhos nacionais só
ficaram atrás dos franceses", conta Souto, entusiasmado.
Um
bom hábito
De
fato, é uma notícia e tanto. O resveratrol vem
sendo saudado pela comunidade científica como um antioxidante
poderoso e um antiinflamatório competente. "Ele
é hoje uma espécie de molécula da moda",
avalia Souto, referindo-se aos incontáveis estudos
sobre o tema que vêm sendo publicados em revistas médicas
sérias de diversos países. Os cientistas começaram
a desconfiar dos benefícios do vinho para o sistema
circulatório ao observar estudos de população.
Ainda nos anos 1950, chamou atenção o que ocorria
na França. Seu povo se empanturrava de comidas gordurosas
mas, mesmo assim, tinha um índice de mortes por doenças
cardíacas menor do que em outros países ocidentais.
O mistério foi resolvido quando se percebeu uma diferença
fundamental: eles são bebedores contumazes de vinho.
A maioria não dispensa a bebida diariamente, durante
as refeições. "É o que chamamos
de 'paradoxo francês'", diz o cardiologista Fernando
Lucchese, da Santa Casa de Porto Alegre. Convencido de que
beber vinho tinto faz bem, o médico prescreve um cálice
para acompanhar cada refeição. "O vinho
está virando um ingrediente do dia-a-dia de quem busca
saúde."
Fonte:
Revista Saúde

|