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O vinho diminui as chances de obstrução nos
vasos
As formas de atuar do resveratrol no homem são variadas.
"A ação antioxidante já foi comprovada
cientificamente para todo o organismo, principalmente no que
diz respeito ao coração", afirma o cardiologista
paulistano Ronaldo Leão Abud. Em primeiro lugar, a
substância é capaz de inibir a oxidação
do LDL, o colesterol mau. Quando oxidada, essa molécula
nociva tem ainda mais facilidade para se depositar nas artérias
até obstruí-las, provocando um infarto –
ou, se o acidente acontecer na cabeça, um derrame.
Artérias
sem placas
Além disso, o resveratrol dificulta a agregação
das plaquetas, células sangüíneas que correm
até um determinado local de uma artéria quando
nela há uma lesão. Normalmente as plaquetas
se concentram na região danificada com o objetivo de
formar um tampão para estancar o sangue. Mas esse congestionamento,
em um vaso já estreitado pela gordura ali depositada,
pode causar uma obstrução fatal.
Essas ações da substância do vinho são
comprovadas por trabalhos que mostram o que ocorre nos vasos
sangüíneos de quem tem o hábito de bebê-lo.
O cardiologista Protásio Lemos da Luz, do Instituto
do Coração, em São Paulo, coordenou um
estudo citado por todos os médicos entrevistados para
esta reportagem. O especialista pegou três grupos de
ratos e serviu a um deles um pouco de vinho tinto.
A
outro o pesquisador ofereceu suco de uva. O terceiro grupo,
coitado, ficou a seco. Ao final de 12 semanas, os ratinhos
alcoolizados e os que tomaram suco de uva pareciam estar mais
saudáveis. "Concluímos que essas duas bebidas
são capazes de reduzir a formação de
placas de gordura", escreveu Lemos da Luz. São
exatamente essas placas que podem acabar entupindo uma artéria.
A
substância da uva pode brecar tumores
O experimento coordenado por Protásio Lemos da Luz
não faz distinção entre o resveratrol
e as outras substâncias do vinho tinto. "Ainda
não está totalmente esclarecido se é
essa molécula ou o conjunto dos componentes da bebida
que age contra as placas de gordura", diz o médico.
Mas grupos de estudo de vários países estão
mergulhados em evidências de que o resveratrol tem diversos
efeitos benéficos. Entre eles uma provável ação
contra o desenvolvimento de tumores.
O
primeiro especialista a levantar essa hipótese foi
o oncologista John Pezzuto, da Universidade de Illinois, nos
Estados Unidos. Em um trabalho de 1997, Pezzuto provou que
o resveratrol "tem ação antioxidante e
antimutagênica". Ou seja, por um lado evita as
moléculas de radicais livres, que podem induzir ao
câncer. Por outro, inibe mutações genéticas
que disparam um tumor. "Deduções assim
se baseiam em experiências de laboratório. É
cedo para dizer que existe esse efeito protetor em seres humanos",
avalia, cauteloso, o oncologista Gilberto Schartsmann, da
Fun-dação Soad, em Porto Alegre.
Goles
contra o herpes
Uma outra investigação, realizada por cientistas
da Universidade Northeastern Ohio, nos Estados Unidos, sugere
que o resveratrol pode se tornar um bom remédio contra
o herpes. A substância se mostrou capaz de inibir a
multiplicação do vírus que provoca a
doença, dizem os pesquisadores americanos.
Mas
isso não quer dizer que a molécula seja considerada
um antiviral. "Ela combate a inflamação,
mas não destrói o vírus em si",
afirma Ronaldo Leão Abud. Os cientistas ainda degustarão
muitas pesquisas. Por enquanto, o certo é que um cálice
de vinho na refeição pode oferecer um brinde
pra lá de saudável.
Fonte: Revista Saúde

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